I DESFAZENDO BOATOS SOBRE A NOVA NORMA DE GUARDA-CORPOS

A nova versão da norma de guarda-corpos não deverá sofrer grandes mudanças para as instalações residenciais ou comerciais internas. As maiores alterações estão sendo feitas para utilizações em espaços públicos. E a principal delas está no detalhamento do ensaio para se testar a resistência às pressões de vento, questão que não era prevista na norma anterior. Diversos boatos, entretanto, acompanham esta nova versão. Confira alguns deles.

TORRES E PROLONGADORES
Boatos correntes sobre a nova norma apregoavam que as estruturas tipo “torre de inox”, “torre de alumínio”, “botões” ou “prolongadores” seriam itens proibidos, ou que teriam de seguir um padrão predeterminado.
A verdade é que nada mudou com relação a esse assunto. Todos esses itens podem ser utilizados na montagem de um guarda-corpo para utilização interna. Tais elementos serão considerados “conformes” se um conjunto completo de guarda-corpos, composto por vidro laminado ou laminado de temperados ou aramado, somado a todos os elementos necessários para sua estrutura, forem submetidos e aprovados em um ensaio, conforme previsto na norma NBR 14.718.
Um desses itens que eram alvo de boatos era o prolongador Maxx, da Ideia Glass, que, segundo o diretor da empresa, José Miguel, atualmente é utilizado em mais de 30% das montagens de guarda-corpos em escadas residenciais. O produto continua podendo ser utilizado como sempre. E agora que obteve recentemente sua patente, em breve deverá ser submetido a ensaio segundo a norma.

LAMINADO DE SEGURANÇA
Geralmente as normas técnicas não determinam o material a ser utilizado, tornando a norma mais abrangente. No caso da norma de guarda-corpos, entretanto, é determinado que na utilização de vidros deve-se utilizar o laminado e seus derivados, incluindo o laminado de temperados, além do vidro aramado. Boatos no mercado de vidros proclamam que para tais aplicações somente deveriam ser utilizados os “vidros laminados de segurança” que, teoricamente, seriam diferentes dos “vidros laminados” por terem sido submetidos a teste de impacto.
Segundo os consultores da Paulo Duarte Assessoria, empresa especializada em vidros e esquadrias, essa diferenciação não existe. Tatiana Domingues, consultora especializada em vidros, explica: “O vidro laminado, segundo sua norma, já é considerado um vidro de segurança. O que se pode, em alguns casos, é agregar propriedades ao vidro, como maior resistência a impacto (antivandalismo)”.

GUARDA-CORPO TIPO ESCADINHA
Um boato é verdadeiro: que serão proibidos fechamentos com travessas horizontais tipo “escadinha escalável”.

A engenheira Fabíola Rago Beltrame, que coordena a revisão da norma de guarda-corpos, destaca que na atual já existe a recomendação para que não sejam produzidos ou utilizados tais guarda-corpos com travessas horizontais, que formam um tipo de “escadinha”, muito atraente para crianças. “Infelizmente vemos muitos guarda-corpos por aí com essas travessas que permitem o escalonamento. Com certeza estão fora de norma e podem provocar acidentes. Para esses casos, o vidro se apresenta como um produto ideal, pois não permite isso e ainda oferece a transparência”, diz.

FECHAMENTO DE SACADAS
Por fim, um dos boatos apregoava que instalações de guarda-corpos feitas com suporte em dois pontos e vidros temperados autossustentáveis não estão previstos na norma NBR 7199. Devido a isso, segundo comentários, vidros chamados “estruturais” deveriam ter um capítulo específico nessa norma, que é mencionada nas normas de Guarda-Corpos e também na de Fechamento de Sacadas, o que justificaria que a 7199, que acabou de ser revisada, tivesse que ser revisada novamente. Fabíola responde: “Não é válido o argumento de que é necessário revisar a NBR 7199 ou de esquadrias para incluir ou discutir a questão do vidro estrutural. Vidro é vidro. E os tipos de vidro, inclusive, se encontram no cálculo da resistência ao vento.”
Tatiane, da Paulo Duarte, tem opinião semelhante: E ainda acrescenta: “A NBR 7199/2016 é denominada Projeto, execução e aplicação dos vidros na construção civil – procedimento, sendo assim, segundo meu entendimento, aplica-se inclusive aos envidraçamentos de sacadas.”